sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Um carnaval sem festa...

Ao som do frevo alternativo do Bloco Papelão, crianças e adolescentes recolhem latinhas vazias jogadas no chão, pelos foliões durante o pré-caju. Os Policiais Militares (PM) responsáveis em encaminhar os meninos e meninas em situação de risco, para o Conselho Tutelar, não o fizeram.
Prova disso, é que o conselheiro tutelar Daniel Max garantiu, nessa segunda-feira, 14, para reportagem do Jornal do Dia, que “o levantamento dos casos atendidos durante a festa revela que não houve encaminhamentos de crianças e adolescentes que trabalharam durante a prévia carnavalesca”.
A exploração não foi noticiada em nenhum dos principais jornais impressos da capital, ao contrário, as machetes apresentaram títulos glamurosos, acompanhados de fotografias de foliões eufóricos e de famosos que conquistaram a adoração da massa popular e coloriram as folhas da imprensa.
Ouso dizer que o espírito carnavalesco distorceu a suposta idéia de um jornalismo com responsabilidade social. Pouco se pensou na mídia como instrumento mobilizador para a garantia dos direitos da criança e do adolescente.
O plano de ação conjunta que foi discutido em audiências conduzidas pelo Ministério Público, não conseguiu assegurar o que estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente, no art. 60 “é proibido qualquer trabalho a menores de dezesseis anos de idade, salvo na condição de aprendiz”.
Capacitar melhor a PM para operar no Carnajú 2008, pode ser uma alternativa, mas não suficiente para combater esse tipo de violência. É preciso uma política profunda que priorize o setor humano.
“Um carnaval sem festa”. É o que resta para a infância e para a juventude em situação de vulnerabilidade social.

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Referências
Jornal do Dia, p. Cidades 05, Cássia Santana – 15/01
Art. 60 do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Segurança Pública é uma máscara para o flagelo da violência

Por Tamires Santos

Em Aracaju, a imprensa sergipana noticiou nesta quarta-feira, que foi encontrado as margens do Rio Sergipe, no bairro Coroa do Meio, o cash eletrônico do Banco do Brasil, roubado e extraviado, no último dia 07.

Já não deveria causar impacto, notícias que denunciam assaltos, homicídios, violência sexual, principalmente contra o universo infanto-juvenil, contrariando o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
A partir de amanhã, 10, a capital de Sergipe é cenário da maior prévia carnavalesca do Nordeste. A proposta da festa é oportunizar momentos de entretenimento, no entanto, a ocasião também é propícia para as ações violentas. Sabendo disto, o secretário de Segurança Pública, Kércio Silva Pinto, vai realizar uma ação preventiva intitulada “Operação Pré-Caju” que visa coibir o tráfico de drogas, e a violência no Estado, durante os quatro dias de festa.

Em audiência realizada na terça-feira, 8, no Ministério Público do Estado, a promotora de Justiça Conceição Figueiredo do Núcleo de Apoio a Infância e Adolescência (Naia), reuniu conselhos tutelares, e representantes da entidade SOS Criança e do Juizado da Infância e Juventude do Estado de Sergipe. O objetivo é discutir o trabalho preventivo em parceria para a garantia dos direitos da criança e do adolescente.

A segurança em Sergipe, embora se esforce, mal disfarça sua ineficiência. Indicar que as pessoas evitem andar em locais mal iluminados é uma das meras ações preventivas indicadas pela Polícia Militar. Dicas de prevenção apenas mascaram para a sociedade o dever do poder público em assegurar a iluminação como um direito pleno do cidadão. O curioso é que as operações de combate e prevenção à violência são tratadas como algo emergencial somente em ocasiões “festivas”.

Infelizmente, depois dos quatro dias de festas, o uso de entorpecentes e a violência voltam a ser um flagelo social enraizado no cotidiano. Não nos enganemos. Existe a violência enquanto existir a marginalização social. A marginalização social vai existir enquanto houver acentuadas desigualdades, que tornou-se comum por causa da má distribuição de renda. A pobreza gera cólera enquanto não houver investimento assíduo em educação de qualidade. É um ciclo selvagem. As medidas de prevenção são ralas e superficiais. São máscaras de prevenção e nada mais.

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Artigo publicado no site da 103 fm:
Disponível em:

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Vinde Adoremos reúne cerca de 1000 pessoas no Ginásio Constâncio Vieira




Fotos: Eduardo Marques
























*Celebração Eucarístisca marca momentos de adoração a Jesus Sacramentado no pão. A cantora Eliana Ribeiro emociona o público, que vive momentos de cura interior e entrega espirutal durante o evento.


Por Tamires Santos


Nos dias 15 e 16, cerca de 1000 pessoas transformaram o Ginásio Constâncio Vieira em lugar de adoração a Deus. Com o tema Alegrai-vos, Jesus vem curar e libertar seus discípulos de todo o abatimento, o evento Vinde Adoremos, realizado pelas comunidades católicas Canção Nova e Força Jovem, foi marcado pela realização do show da cantora Eliana Ribeiro, da Canção Nova, que aconteceu por volta das 21 h.

“Quantas pessoas não conseguem mais ver o céu aqui na terra? Nós que conhecemos a Jesus, precisamos estar firmes como uma rocha, para que busquemos ter os mesmos sentimentos de Jesus, e assim, promovermos o céu para aqueles que têm sede de céu!”, declarou a cantora, Eliana Ribeiro. O show foi marcado por uma oração direcionada a todas às famílias, com a música de Padre Zezinho.

A animação do evento ficou por conta da banda Revela Cristo, formada por 10 integrantes da Força Jovem existe há um ano e transmitiu ao público jovem irreverência e santidade, através de canções e coreografias compostas por ritmos de pagode.

A jornalista Susane Vidal, participou do evento e comentou: “gostei muito da seqüência do evento. Eu já conhecia o trabalho de Eliana, através da Canção Nova, evidentemente, e posso dizer que ela foi abençoada, porque a oração e a adoração remeteram a uma reconciliação com Deus.

A programação do evento também incluiu a pregação de Márcio Mendes sobre a palavra de Isaías 35, sobre as mãos desfalecidas e joelhos facilantes. Além disso, o ministério de teatro da comunidade Força Jovem, emocionou o público com a apresentação da peça teatral Máquina do Tempo. “Na apresentação da peça do Ministério de Teatro da comunidade Católica Força-jovem, senti uma paz muito grande e senti a presença de Deus. As representações se tornaram reais, de tão forte que foi”, declarou Luana Almeida.

O fundador da Força Jovem, Sérgio Araújo de Oliveira assegurou que “os corações se abriram para o perdão e a vivência do amor”, ressaltando que o Arcebispo Dom José Palmeira Lessa esteve presente no evento e celebrou a Santa Missa, que também representou o leitorato para 15 seminaristas. A participante Denise de Souza destaca que “o ambiente foi bem preparado durante o dia inteiro, e isso evitou qualquer confusão. As pessoas cantaram com mais verdade!”, pontuou.

Ao ser questionada, nos bastidores, sobre seu sentimento de realizar grande show em Aracaju, a cantora revela: “Foi uma grande alegria notar no povo nordestino uma sede imensa por Deus. É maravilhoso vê que as pessoas dão respostas à ELE, através das minhas músicas e orações. Eu saio daqui abastecida, e posso dizer que o povo nordestino é um povo abençoado”.
Opinião - Me surpreende a simplicidade de Deus. Como Ele se deixa encontrar de maneira tão simples ? A presença do seu Santo Espírito vive em mim fortemente, por todo o tempo. Bate a porta do meu coração todos os dias, em todos os momentos. E quantas vezes eu não estou sensível ao toque dELE? Quantas vezes Deus me fala. Sopra vida em meu interior. Quantas vezes ele sofre junto comigo, e ama sem impôr condições. E por tantas vezez eu não consigo perceber tudo que ELE é? De forma tão oculta e tão clara. Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo eu te adoro. Com esse texto, quero render graças a tudo que o Senhor fez, faz e ainda vai fazer em minha vida. Esse texto é uma pequena prova de gratidão a aquele que é AMOR. Faz do meu coração um altar, um lugar de adoração também.

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* Legenda: Tamires Santos

SUS ‘prioriza’ exames para idosos e crianças em situação de risco

Foto: Tamires Santos

As filas ainda existem. Em frente ao
Cemar, pessoas aguardam atendimento


Por Tamires Santos



No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) existe com o propósito de acabar com as "filas", como critério para que a população tenha acesso ao atendimento médico e a qualidade de vida.Consultas e exames são agendados por profissionais que realizam o atendimento nas 43 unidades de saúde distribuídas em Aracaju. O tempo de espera varia de acordo com o gerenciamento do Núcleo de Controle, Avaliação, Auditoria e Regulação (NUCAAR), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).


“O SUS é apaixonante e tem melhorado as condições de vida, em virtude do seu caráter de prevenção e educação à saúde e educação. Por isso, não deve ser visto pela sociedade somente para atendimentos emergenciais", esclarece Déa Jacobina, assessora de comunicação do SMS.

Por meio do sistema de regulação NUCAAR, os profissionais da saúde realizam o acolhimento dos pacientes, registrando os dados, e inclusive descrição do problema de saúde do paciente.
"O sistema é vivo, múltiplo, e complexo, afirma Déa Jacobina reconhecendo que a demanda é grande e faltam recursos para atender a todos.
Informações são armazenadas no sistema de gerenciamento que prioriza a marcação de consultas e exames aos idosos, adolescentes grávidas e crianças em situação de risco. Esse sistema de gerenciamento é denominado Princípio de Estratificação de Risco.

"Isso é um absurdo! Estou com minha filha de um ano e seis meses precisando fazer exames de sangue. Esperamos mais de um mês pela autorização. Quando veio, autorizaram para três lugares diferentes. Ela vai coletar sangue três vezes por causa disso”, denuncia a dona de casa Marizete dos Santos.

O princípio de estratificação de risco regula a autorização de consultas e exames, por intermédio do Cemar – Centro de Especialidades Médicas de Aracaju. Somente os casos de maior risco têm prioridade na marcação e consulta de exames.


Opinião – A concepção de “atendimento básico” utilizada como um mero registro de informações em um sistema de regulação gerido por mãos humanas, está distante de ser empiricamente considerado ATENDIMENTO BÁSICO apaixonante. Reformulo, aqui a frase da assessora: O propósito do SUS é apaixonante. O princípio de estratificação de risco é uma ideologia, porque não se sabe os critérios que são utilizados quando, por exemplo, duas crianças estão em situação de risco e no NUCCAR só há vaga pra uma delas. Sistema de saúde apaixonante esse, que descarta pessoas, como se fossem números sobrando na prova dos nove.


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Texto produzido para boletim Informativo, durante o 5º período de jornalismo. A reportagem foi desenvolvida como atividade da disciplina Edição, ministrada pela Jornalista Suzane Vidal. Realizei entrevista ping-pong com assessora Déa Jacobina da Secretaria Municipal de Saúde.






quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Eliana Ribeiro realiza show no Ginásio Constâncio Vieira

Por Tamires Santos

Nos dias 15 e 16 de dezembro, o Ginásio Constâncio Vieira será palco do Vinde Adoremos, evento católico promovido pelas comunidades Canção Nova e Força Jovem. O show da cantora Eliana Ribeiro, acontece às 18 h, e marcará o primeiro dia do evento, 15. Os ingressos custam R$ 5,00 e estão à venda na própria comunidade que tem sede em Aracaju, localizada na Rua Paulo Henrique Machado Pimentel, 95, bairro Inácio Barbosa, ou ainda, na Comunidade Força Jovem, localizada na Tv. Adolfo Rollemberg, 51, bairro São José. Para participar das demais atrações do Vinde Adoremos que prossegue até o dia 16, a entrada é apenas 1kg de alimento não perecível. A animação ficará por conta de bandas, apresentações teatrais e grupos de dança. Outras informações podem ser obtidas pelo site http://www.ccfj.org.br/ ou pelo tel. 3221-3663.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Árvore é reinaugurada com aplausos

Por Tamires Santos

Não faltaram expectadores para a reinauguração da árvore natalina arqueada às margens do Rio Sergipe, construída pela Empresa Energética de Sergipe – Energipe, em Aracaju.

A luz provinda do monumento que concorre ao Guinness Book, com o título de árvore de Natal mais alta do mundo, foi recepcionada com aplausos e olhares fiéis dos espectadores que conferiram de perto às luzes que fantasiaram a noite de segunda-feira, 10.

O símbolo com 110, 11 m de iluminação, localizado no bairro Coroa do Meio reuniu famílias nas varandas das mansões localizadas na Av. Beira Mar. Na ocasião festiva, até o trânsito permaneceu disciplinado, mesmo diante das filas dos veículos que se formaram na avenida.

Aqueles que simplesmente faziam a cotidiana caminhada no calçadão, também não hesitaram olhar para o alto. Pontualmente às 20:30 h, o colorido dos fogos de artifícios adotou o céu como pano de fundo.

O Papai Noel rendeu sorrisos, ao desfilar na avenida, em veículo patrocinado pela Coca-cola. Para aqueles que consideraram a inauguração pouco tempo de festa, a 20ª edição da árvore natalina ficará acesa até o dia 13 de janeiro.

Opinião -

Imagino que distante da Zona Sul, a massa da sociedade é desprovida de uma bela paisagem, como é assegurado aos moradores da Av. beira mar. Enquanto a elite social é induzida a comemorar o natal desta forma, durante o ano, uma criança deixou de ir à escola e para trabalhar, ou a Operação Zidane flagrou a exploração infanto-juvenil em prostíbulos da cidade. Pessoas que vivem no semi-árido sergipano passam sede e fome, enquanto políticas públicas e tecnologias sociais poderiam estar sendo adotadas, ao invés da distribuição temporária de água, por meio de carros-pipa. Para essas pessoas, Papai Noel não rende sorriso. Ele nem aparece por lá.

Imaginemos quanto se investe em "monumentos turísticos", como a árvore de natal de 110, 11 m? As desigualdades sociais se acentuam desde do chamado "milagre econômico", durante o governo de Juscelino K. e o fantasma do milagre econômico persiste em atuar na sociedade, por meio do governo atual.

QUANDO A REALIDADE É MASCARADA COM FOGOS DE ARTIFÍCIOS É FÁCIL FAZER AS PESSOAS CREREM QUE O MILAGRE ECONÔMICO AINDA EXISTE E QUE NÃO É NECESSÁRIO REPARTIR O "BOLO".

quinta-feira, 21 de junho de 2007

REURBANIZAÇÃO ESTAGNADA: População à Margem do Direito a Qualidade de Vida


Por Tamires Santos e Maristela Niz.

É fato que o desenvolvimento não chegou em todos os lugares da cidade de Aracaju. Para os menos abastados sobraram à lama nas ruas ao invés da drenagem e pavimentação. Quando os moradores contam com a sorte de ter o calçamento, este se encontra escavado e sem maiores iniciativas da Empresa Municipal de Obras e Urbanização ─ EMURB.

O Projeto de Reurbanização da Atalaia, teoricamente, já está em execução, e começou desde 2006, a partir do cadastramento das habitações subnormais (invasões). O objetivo do Projeto é urbanizar a antiga área de invasão e fixar os moradores nas 660 casas que foram entregues.
Segundo a EMURB o projeto aclopa as seguintes ruas: Bezerra de Menezes, Cônego José Felix, Gervázio de Araújo Souza, José Figuereido Alburquerque, Oceânica, Mário Jorge, Euclides Góes, poeta José Sarles Campos e Humberto Resende Góes.

Enquanto o projeto não é efetivamente concretizado, o Habitacional Coroa do Meio, padece com infra-estrutura precária e fossas abertas. “Semana passada tinha tanto mosquito. A EMURB veio aqui e não fez nada. O vizinho já meteu a marreta na rua para tentar resolver”, desabafa Pedro Costa, dono de Mercearia. Ele acrescentou ainda, que há clientes afugentados pelo mau cheiro provocado pela “boca de lobo” que entope o canal, pelo qual se derrama uma água verde e exala em um odor insuportável.

Durante um ano, a reclamação dos moradores é que a prefeitura só vem no local quando é época de festa, como o São João, para recolher entulhos e tentar acalmar o povo e mostrar que está fazendo algo pela população.

Questionados acerca de providência efetiva para a resolução dos problemas dos moradores da periferia em questão, a assessoria da EMURB explica que “por causa das antigas invasões que existiam no local, o sistema de drenagem ficou comprometido, o escoamento natural seria para o mangue. Mas, quando chove a água não tem como escoar. Além disso, a chuva retarda, por exemplo, as obras de escavações e as galerias de drenagem”, reconhece.

A moradora da rua “A” do Habitacional, Maria Aparecida Santos, 45, afirma que durante um ano, quando chove, a situação é a mesma. “Nós já fizemos abaixo-assinado para prefeitura desde dezembro de 2006 e até hoje não apareceu ninguém. E essa primeira rua do habitacional era pra ser bonita, mas está uma verdadeira bagunça”, argumenta Maria Aparecida.

A respeito da paralisação das obras ou daquelas ainda não iniciadas, a EMURB justifica que teve um período de quatro meses que as obras estagnaram, pois, o contrato da empresa estava sendo reincidido. Segundo a assessoria de comunicação da empresa municipal o projeto que está
parado custa aproximadamente 20 milhões, e o município sozinho não tem recurso para executar. “O prefeito está empenhado para reconstruir essas ruas, mas não podemos dar previsão, a expectativa é que até Agosto o serviço seja finalizado”, conclui a empresa municipal.

Em outras palavras: Calma, é a palavra de ordem.
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Texto produzido em 21 de junho de 2007, para mesclar com o trabalho de Fotojornalismo 4º período.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

A IDEOLOGIA DOS DIREITOS HUMANOS: Declaração sem Ação

O direito de ter direitos é uma conquista da humanidade, no entanto, a história do Brasil é marcada pela violência dos poderosos contra os mais fracos. O nosso país foi a última nação independente a acabar com a escravidão e esse fato marcou a identidade social brasileira com resquícios que refletem na cultura nacional. O modo de produção escravocrata, que trata o ser humano como mão-de-obra permeia atualmente, e como fruto do sistema capitalista: as desigualdades sociais e a alienação. Então, como falar em cidadania e democracia plena em um país regido pelo capitalismo?
Enquanto a cidadania plena exige coletividade, o capitalismo gera a competitividade e um exército de reservas. O curioso é que os “moradores de rua”, os marginalizados, aqueles que desrespeitam o meio ambiente, os que se apropriam do domínio público, pessoas analfabetas, sem acesso a educação. São esses os “cidadãos de papel”.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um dos documentos básicos das Nações Unidas, assinada em 1948. Nela são enumerados os direitos que todos os seres humanos possuem. Mas possuem somente no papel. O que está previsto na Constituição é uma representação do que seria justo, uma ideologia. Na prática, como exigi-los?

As atividades de reintegração de posse e despejo de famílias carentes não é um fato isolado do contexto social, mas este, é abafado pela ideologia, que é uma maneira da produção de idéias pela sociedade, ou melhor, por formas históricas determinadas das relações sociais. O “cidadão de papel” não têm ao menos consciência de quem é. Por quê, só a ele é transferida a responsabilidade pela existência das chamadas moradias subnormais?

Na sociedade capitalista, as intenções do proprietário (no caso, o domínio público) são contraditórias aos deveres do sujeito moral (aqui, os chamados invasores ou proprietários de loteamentos clandestinos). Aquele busca ampliar a sua propriedade privando os direitos legitimados de outros proprietários, chamados cidadãos com direito a propriedade. O Estado trata os chamados cidadãos com direito a moradia, como se fosse seus objetos e não homens livres. “Ora, o Direito e a Moral estão em conflito” (CHAUÍ, M. 1994).

O artigo 5º da Constituição Federal garante que os cidadãos brasileiros têm direito a saúde, a educação, a segurança e a moradia. Neste mesmo artigo inciso é dito que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra, e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente da violação”.

Já não deveria ser notícia os casos em que os chamados “cidadãos” tomam posse de um espaço público, constroem as suas casas, casebres, palafitas, ou barracos. Passam-se dias, ou meses, e não há fiscalização ou notificação alguma. Não há políticas públicas de conscientização para essas pessoas, no que diz respeito ao meio ambiente. O Estado de direito não trabalha com a investigação. Quando um Juiz concede a liminar consolidada pelos órgãos públicos para despejo de famílias carentes, muitas vezes, as casas caem por terra, e aos cidadãos com tantos direitos previstos, só restam-lhes a roupa do corpo. A justiça do Brasil também é capitalista. Justiça é prova. Mas, o cidadão do papel sabe disso? Sabe que ele precisa de testemunhas, notas fiscais, fotos? Ao menos, ele sabe Lê? Ele tem máquina fotográfica?

A tolerância é o que pode sustentar os direitos humanos, a pluralidade cultural, a democracia e o Estado de Direito. Ser tolerante não é renunciar as próprias convicções, para abraçar a injustiça social, ou autorizá-la. Mas sim, aceitar que os seres humanos se caracterizam pela diversidade do seu aspecto físico, de sua circunstância, da sua maneira de expressar seus valores e seus comportamentos. Educar para a tolerância deve contrariar a exclusão ao outro, afinal a cidadania remete ao sentimento de pertencer a um lugar. A ideologia é um “mascaramento da realidade social que permite a legitimidade da exploração e da dominação. Por intermédio dela, tomamos o falso por verdadeiro, o injusto por justo”. (CHAUÍ, M. 1994). Por isso, os direitos humanos são ideológicos. É apenas uma representação.

Apesar de parecer senso comum, ou talvez seja, está comprovado que a Educação é a melhor maneira de combater a miséria, prova disto, é que países como o Japão e a Coréia do Sul alcançaram rápido desenvolvimento ao investir na educação fundamental.

(Como forma de cumprir a Ética no Jornalismo, busquei depoimentos com a assessoria de Imprensa da OAB, no entanto, os e-mails que envio com o questionário em anexo, não obtive resposta concreta. Isso desde o mês de abril.)

REFERÊNCIAS:

CHAUÍ, M. O que é Ideologia. 38º ed. São Paulo: Braziliense, 1994. (Coleção primeiros passos).

DIMENSTEIN, G. O Cidadão do Papel. São Paulo: Ática, 1999.

INFORMAÇÃO FABRICADA

Por Tamires Santos

Obscurecimento da realidade, divisão de classes, trabalho fragmentado. Turva percepção: efeito da ideologia dominante. Como um barro nas mãos do oleiro, o futuro jornalista acata um paradigma de formação ditado pelas Universidades e transforma-se, pouco a pouco, em um aparente instrumento técnico de atuação profissional, fabricando as informações que antes eram reais, e que no texto, passam a ser uma interpretação. A análise de uma análise feita por um cidadão comum, além de jornalista.

Semelhante ao processo de produção industrial em série, nascem gerações sucessivas de robóticos profissionais de comunicação revestidos com uma armadura falsa: anônimos, formais, neutros, objetivos, impessoais. Isso para atender as necessidades ditatoriais do mercado de trabalho, ou ainda, para atingir os interesses de uma cúpula social que rege o discurso da mídia. Aquela cúpula, que o doutor em comunicação da ECO/UFRJ, Mohammed El Hajji chama de “quarto poder“.
A fragmentação do trabalho jornalístico mal disfarça que desde a escolha do fato a cobrir, passando pela escolha dos entrevistados, os critérios da seleção dos discursos, até a edição e diagramação da matéria, a interpretação está interligada com a informação. Com base no teórico Mohammed, a própria escolha de qual fato irá cobrir, já é uma atitude imparcial. Ou seja, o ato de fazer uma escolha é um ato de interpretação, mesmo quando existe informação. A diferença, é que a interpretação implícita constitui a informação, matéria prima do ofício de jornalista.O perfil do público consumidor destinado pelo veículo, também já pressupõe, por exemplo, a seleção dos entrevistados, a elaboração das perguntas, o enfoque.

O que Mohammed diz sobre o processo discursivo narrativo é que “o que era uma experiência de campo fragmentada e diversa, acaba sendo retratada como um todo coerente e integrado”. Nesta e em outras reportagens, como por exemplo, a do dia 16 sobre o aumento da violência no bairro Robalo em Aracaju, o contexto sinaliza quem está com o poder no momento da fala, e isso o verbo dicendi por si só, não demonstra ao leitor.

Trabalho jornalístico é pesquisa, observação, interação, análise, mas também concepção, interpretação, e produção de significado e de sentido. O texto, o discurso, a fala, a linguagem são recursos necessários para a fabricação da informação, representada através de estratégias discursivas de enunciação. Estas que nas páginas nas folhas da imprensa, transmitem ao leitor a áurea de distanciamento entre o jornalista e as testemunhas oculares, por exemplo.

Em uma sociedade que se desenvolve, passando por crises econômicas, políticas e sociais, a informação é a grande ágora de intermédio entre as classes sociais. Claro, esse recursos jornalísticos são empregados, inclusive, por outros diversos veículos, inclusive, pelo Telejornalimo.

Verdade e objetividade são palavras chaves, inclusive, presentes em praticamente todos os códigos de ética de jornais e jornalistas, também nas legislações de comunicação social de dezenas de países. Conhecer os mecanismos de fabricação da informação permite ao leitor a capacidade de decodificação do seu conteúdo e o reconhecimento do jogo de interesses que se filtram nas notícias por meio das estratégias discursivas de enunciação.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Tudo acaba em Texto.

Não “funciono” sob pressão. Acredita? Já entrei em conflito – mudança de estado – psicologicamente falando, ao ouvir dos profissionais de jornalismo que o prazo que se tem para o deadline de um jornal é cumprido a risca pelo editor chefe. Em uma hora dessas só me imagino em frente a uma mesa, com uma pilha de papéis sobre ela, roendo as unhas devido a uma infeliz fase de encubação.

Sabendo que minha mente ainda é um pouco “mimada” no que diz respeito à produção textual, me sinto submissa à boa vontade daquela, diante do meu anseio pela fase iluminativa do processo criativo. Mesmo assim, sou movida por uma convicção cega de que o curso de jornalismo é capaz de suprir a minha inclinação à escrita (principalmente) e me promove uma sensação de encontro comigo mesma. Prova disto, é que depois de me tornar universitária, a coleção de diários que tenho só serve hoje para armazenar “dias atrás” e como fonte, acredito eu, de auto-análise da minha identidade mutante.
Os textos acadêmicos são suficientes para suprir a minha sede por transformar tudo em palavras escritas. Sentimentos abstratos, cenas factuais, desabafos, confidências, narrativa formal ou poemas que hoje já não faz meu gênero. Tudo pode virar texto.

A inauguração da árvore de natal de Aracaju, dita a maior do Brasil, o ruído dos fogos de artifício, as aves sem ninho, as “caras e bocas” que fazem ao me ver indo de sandália rasteira para a faculdade, e mais um leque de coisas aparentemente triviais podem virar texto. Viram? A pouca inspiração para postar pode virar postagem. Escrever é passar a vida a limpo. É conotar o que é denotativo. Transformar o abstrato em palpável e mostrar-se para o mundo sem dizer ao menos o nome.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

O"Impeachment" das aulas

Por Tamires Santos
Não é nehuma manifestação estudantil marco da política brasileira, como por exemplo, o movimento dos "caras-pintadas" que pedia o impeachment do primeiro presidente eleito em 29 anos. Os rostos diziam : "Fora Collor"como sinônimo do fim da inflação e luta pelas reformas de base em meados anos 90.
Aracaju 05 de dezembro de 2006. Mesmo sem nada pintado nas caras, está bem nítido a expressão facial comum aos estudantes da Universidade Tiradentes. Os clamores por férias estão sendo manifestados pelos corredores da sala 30, o adiantamento para as fotografias com toda a classe nos degraus da escada significam uma despedida utópica de um período que ainda não terminou. O mais "suado" permanece ativo e ainda expresso nos linkes dos msn, dos alunos que anunciam um enorme desejo pelo seu término.
Aos quatro cantos da sala o mesmo desejo é propagado, inclusive, pela professora de reportagem, minutos antes de entregar a prova da última unidade. Isso mesmo. O pedido por Férias atinge a elite dirigente (os professores), apesar de ser uma manifestação típica de alunos que só "farejam"por festas, viagens, família, encontros e reencontros, um "dormir e respirar livremente" que o 3º período de jornalismo impossibilitou durante 4 ou 5 meses de instigamento mental.
A sensação de estar a um passo do "impeachmente" do período aumenta a instabilidade e o clima de tensão que se estende até o minishopen da Unit. Curso de verão, 4º prova, recortes de jornais, estatística, texto editorial, e outras enxurradas de indícios de tensão permeiam entre os discursos dos colegas. Os principais esquemas para manobrar o movimento são: "Mande para o meu e-mail!", "Me empreste o CD de comunicação"... " vamos nos reunir", "O que valer ponto, estou no meio", "grave no disquete!"
Até o almejado "impeachment"os alunos chegam a soar a camisa literalmente e atingir o ápice "do cabelo em pé" . Com o movimento "caras-pintadas", Collor renunciou ao cargo. Na espera pelo impeachment das aulas, os estudantes aracajuanos sem caras pintadas, vivem tempos de violenta repressão que explode em manifestações constantes por gritos por férias.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Mudança de mentalidade

Por Tamires Santos
O fato de Sergipe ser propagado pela mídia local como sendo "o país do forró", não descarta a possiblidade de descoberta de um universo musical totalmente novo para os jovens do bairro Coroa do Meio, em Aracaju. Isto se deve a importante iniciativa do Semasc - Sercretaria Municipal de Assistência social e cidadania - de criar o projeto Jovem Aprendiz, que dispõe oficinas que possibilitam um contato em maior profundidade com o gênero musical.
A música clássica desperta a apreciação dos jovens para o repertório que varia de MPB à Mozart, Bach e shopin. Muitos jovens não se contentam apenas em participar de cursos de artes plásticas, violino e dança. Existe a busca por novos rumos, como por exemplo, a participação na Orquestra Jovem do Estado e em processos seletivos para ingressar no conservatório de música jovens para ingressar profissionaomente em orquestras que já existem, mas estas, não superam a vontade de formar uma orquestra independente.
O próprio educador social do Semasc, Claúdio Pinto, em entrevista realizada dia 18 de novembro de 2006, pela equipe jornalística da TV Sergipe, garante que "havia dificuldade por parte dos alunos que logo foi superada com a percepção da beleza da música em qualquer das suas vertentes". Além de quebrar o estigma criado ao associar a música clássica a mehor idade, o espaço cultural oferecido aos jovens testemunha que há mobilização e transformação social.
A música erudita certamente gera nestes jovens uma alto valorização que lhes concedem prazer pela vida e pela busca por novos nichos no mercado de trabalho. O investimento cultural municipal precisa alcançar principalmente pessoas nesta fase de formação, já que é provável que a música tem esse poderio de sanar a osciosidade de muitos jovens.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Noite Clássica

Que eu me lembre nunca tinha assistido a apresentação de uma orquestra sinfônica, para melhor dizer, nunca desejei. Minha tia (e mãe ) é uma ouvinte fiel destas músicas que só se escutam instrumentos enquanto o vocalista apresenta-se mudo. Ou seja, todo o tempo.

Na verdade eu é que não tenho paciência e identificação cultural com tal estilo. Segundo o meu ponto de vista nada clássico, música que não “é cantada com palavras” nada me transmite. O fato é que em um belo dia ─ 22 de novembro de 2006 ─ justo no aniversário de “vinte e tantos anos” de casados dos meus tios, por honrosos motivos acadêmicos tive que dispensar a torta da baviera, que iria ser servida às 19:30 h por causa de uma bela coincidência! A necessidade de cobrir cobrir o evento para produzir um boletim informativo.

Lá estou na Sofise ─ sociedade filarmônica de Sergipe ─ juntamente com minha equipe de “focas” (foca, incluindo eu viu?). Estávamos todos vestindo terno e adereços, éramos vistos como os “jornalista de primeira” e fomos assim chamados, ou melhor, chamadas. Também neste mesmo dia em que inauguro meu 1º terninho, fui muito agraçiada por ter que esperar horas e horas de homenagens, dedicatórias, troca de cartas, de flores, e de microfone (pois só havia um) entre os fundadores e sócios da associação, e choros daqui e emoções dali...

Enquanto eu aguardava com uma expressão típica de uma jovem de 19 anos que veste um terno pela primeira vez, brindava minha noite ao ouvir os discursos que dizia que “ a música (erudita) é tão perfumada quanto os lírios do campo”, engraçado eu não sentir perfume algum quando finalmente às 21:30 a banda começou a se apresentar.

Eu “entrava no céu apulso” para conseguir fotografar a ilustre banda de música clássica. Tive que recorrer a equipe "foca" já que durante as minha tentativas a lente da câmara só fotografou cabeças e mais cabeças da terceira idade. Bem que o palco poderia ser mais alto, e bem que jornalista poderia ficar “chique” de tênis, meus pés já cor de rosa agradeceria por não estarem “atrepados”.

Prossegue a tal quarta-feira clássica e bastou eu encontrar uma cadeira vaga (não por que tinha muita gente, mas sim, pouca cadeira) para o auge do profundo sono me atingir. O meu consolo é que descobrir que “tantãn”, é um instrumento musical, isto acessando o “google” no dia anterior (terça-feira), pelo menos estava mais informada do que uma jornalista da Tv Aperipê já formada.
Era para ter conseguido uma entrevista com o fundador da banda, infelizmente o relógio marcou pouco mais de 22: 30 h e o auge da minha desobidiência com horário para chegar em casa, já tinha ultrapassado a quantidade de “broncas” que eu imaginei ouvir de forma nada clássica. Não sei o que se distancia mais do perfume dos lírios do campo. Música clássica ou ouvi minha tia discutindo por causa do horário.
"Não é no silêncio que os homens se fazem , mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão".
Paulo Freire.